Na actualidade, o
comportamento agressivo constitui uma importante preocupação dos
organismos nacionais e internacionais, mobilizando políticos e
cientistas no sentido de serem projectadas acções que permitam a
diminuição da sua frequência.
O desporto constitui um dos mais importantes fenómenos sociais do
nosso tempo, onde se projecta, por vezes de modo exacerbado, todas
as tendências e conflitos que caracterizam a sociedade. O
comportamento agressivo é, certamente, um dos aspectos com
expressão preocupante nas actividades desportivas, havendo,
portanto, uma íntima relação entre violência social e violência no
desporto.
A nossa sociedade, evoluindo no sentido da quebra dos laços e
relações interpessoais, de secundarização da família e da
desvinculação afectiva do homem ao trabalho que produz, cria ao ser
humano a necessidade de ter pontos de encontro com os outros e
situações em que vivencie os sentimentos de pertença a que aspira.
A afiliação a grupos desportivos caminha neste sentido, mas se por
um lado tem essa dimensão positiva, por outro traduz a existência
de outros problemas sociais.
A questão que se deve colocar é: até que ponto se pode deixar
florescer esse sentimento de pertença a um grupo desportivo, sendo
ele uma manifestação positiva, sem se cair no fanatismo clubístico
que, consequentemente, nos pode levar à delinquência desportiva
(e.g., hooliganismo)?Na realidade existem, inerentes à nossa
cultura, modelos de comportamentos na sociedade, com natural
repercussão no desporto, que determinam:
1) uma necessidade de procura de identificação com os
“heróis”;
2) uma procura de estimulação emocional;
3) uma procura de sucesso e de status.
Estes são, de facto, alguns dos elementos com responsabilidades na
origem das condutas agressivas.
Desporto e agressividade
Várias investigações têm vindo a referir, ao longo dos tempos, que
o desporto serve, entre outras, como forma de alívio do stress e da
ansiedade, funcionando ainda como “descarregador da energia
agressiva”. No entanto, estudos mais actuais contrariam esta
visão, e defendem que a agressividade aumenta com a actividade
física, por efeito da excitação que ela promove (Balagué, 1981).
Outros autores concluíram que a prática desportiva não diminui a
agressividade previamente aumentada (Pfister, 1982; Figler, 1978),
o mesmo se verificando com os espectadores do desporto, onde existe
mesmo o efeito contrário, o que seria devido ao envolvimento
emocional (Gaskell, 1981; Leuck, 1979).
Desporto e Frustração
A competição desportiva cria situações de frustração facilitadoras
de agressão. Lefebre, Leith e Luxbacher (1980) explicam que a
investigação da agressão pela frustração é devida ao bloqueamento
de uma resposta dirigida para um objectivo, quer seja de carácter
interno (falta de habilidade ou capacidade; quebra de motivação),
quer seja de carácter externo (nível inferior de treino; falta de
cooperação entre jogadores; decisões erradas de arbitragem).
A violência nos espectadores seria também explicada, ou pela
frustração pessoal extra-desportiva, ou pela existência de
situações negativas envolvendo a equipa de que se é adepto (e.g.,
derrotas), sendo ambas as situações reforçadas pelas elevadas
expectativas criadas pelos mass-média (Balagué,
1981).
Este espaço pretende divulgar iniciativas da Associação
Desportiva de Taboeira, clube de f ...
continuação...







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