A preferência pelo futebol em detrimento de outros desportos não acontece apenas em Portugal. É, talvez, um dos desportos de maior popularidade entre crianças e adolescentes, em todo o mundo.
A originalidade e a intensidade do prazer associado ao futebol estão ligadas à reacção surpreendente da bola, devido à grande elasticidade do ar nela comprimido: quando um objecto daquele tamanho, com um simples chuto tem uma impulsão de 30-40 metros ou mais, então qualquer “pigmeu”, qualquer rapazinho, experimenta a ilusão de ser um gigante.
O futebol é, sobretudo, um jogo físico de competição. Esta dimensão aviva nele uma relação interpessoal e multiplica os elementos de agrado.
O futebol é uma competição que podemos chamar promocional. Aí, a confrontação de forças ou de habilidades tem por objectivo estabelecer padrões, mais elevados e mais perfeitos, de determinados exercícios (performances).
Existem diferentes tipos de competições. No caso do futebol, trata-se de uma competição antagónica, isto é, os jogadores agem independentemente uns dos outros mas, cada equipa, trabalha para um objectivo comum, onde se emprega força contra força, habilidade contra habilidade.
O antagonismo exige, em geral, nos jogos físicos, esforço intenso, o que muitas vezes se designa como “violência”. Há não só uma violência a que todo o jogador deve submeter as suas próprias capacidades, os seus próprios músculos, como também a violência que se dirige contra algo externo. No futebol, a violência dirige-se à bola, não ao adversário; assim, ficam excluídos os graves inconvenientes da violência directa (e.g., Boxe).
Nos jogos de competição, além do esforço, entram também como elementos indispensáveis, as “regras” e a técnica: as regras evitam que a competição degenere numa “luta” descontrolada, sem graça e sem honra; a técnica serve para aprimorar as habilidades e o seu exercício prático.
Sem esforço, regras e
técnica, o futebol perderia o seu carácter de exercício espontâneo
e agradável, empolgado não só pelo prazer do jogador que corre
atrás de uma bola, mas também pelas habilidades que cada um ou a
equipa, no seu todo, pode revelar.
Assim, os ponteiros do interesse lúdico no futebol deslocam-se da
relação simples de “jogador-bola” para uma relação mais
complexa de “equipa para equipa” e, consequentemente,
para o flutuar da alegria da vitória!
Drª Maria Manuel Teixeira
Psicologa AD Taboeira

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