Existem programas de treino multifacetados que, para além de bem
conduzidos do ponto de vista físico e técnico, devem envolver o
ensino de capacidades de relaxamento, activação, visualização
mental, focagem e refocagem da atenção nas pistas relevantes à
realização da tarefa, podendo ajudar o atleta a manter e melhorar o
seu desempenho desportivo face a distractores externos
inesperados.
A
avaliação dos pontos fortes e fracos em termos atencionais deve
incidir sobre os mais diversos componentes de rendimento e ajudar a
definir os eixos fundamentais que devem presidir ao estabelecimento
dos programas de desenvolvimento das competências atencionais. O
treino atencional não pode ser implementado de forma dissociada do
treino físico-técnico, e os ganhos a atingir passam
indiscutivelmente por uma metodologia de treino integral e de
elevada qualidade.
Havendo pouco tempo e poucos recursos para uma preparação
psicológica alargada e integrada, os aspectos atencionais devem ser
objecto de uma intervenção prioritária, já que por si só, poderão
contribuir para a resolução dos problemas atencionais e outros
relacionados.
Assim, este artigo tem como principal objectivo apresentar algumas
sugestões práticas e simples que ajudem os “homens” do
terreno (treinadores e psicólogos) a avaliarem os processos
atencionais do atleta e desenvolver algumas estratégias que poderão
ser integradas num programa de treino de competências
atencionais.
Exercício 1: Treino simulado
O
treinador deve preocupar-se em organizar treinos que solicitem aos
atletas os mesmos esforços atencionais (alerta, flexibilidade,
selectividade e duração) que as competições. Deve procurar simular
durante os treinos as mesmas situações de fadiga e pressão que os
atletas encontram na competição, criando situações artificiais
(manipulando o marcador, o tempo de jogo, etc.) onde eles se sintam
pressionados.
O
chamado treino de distractibilidade pressupõe, por exemplo, que o
indivíduo treine em situações de sobrecarga distractora (ruído,
estímulos visuais, etc.), seguindo exactamente os mesmos princípios
da imposição, a qualquer atleta, de cargas de treino físico
progressivamente mais elevadas.
Outros exemplos de aspectos que podem ser previamente introduzidos
e manipulados são: o ensino e responsabilização dos atletas pelo
seu próprio aquecimento e recuperação energética durante os tempos
mortos da competição; a familiarização com a sequência dos
acontecimentos no dia da prova, com as condições físicas, com
hipotéticos adversários, com os regulamentos e arbitragem, com a
contagem do tempo e marcador, etc.
No
entanto, por maior criatividade que demonstrem treinador e atletas,
a simulação em treino das particularidades da situação competitiva
tem sempre um alcance limitado em termos de redução da incerteza,
pelo que é desejável alguma dose de novidade, como exposição real
às particularidades físicas, psicológicas e sociais da competição,
é o meio mais eficaz para se conseguir uma correcta adaptação à
situação competitiva. Assim, não será demais realçar a importância
que a aquisição de experiências competitivas positivas por parte do
atleta pode ter nos níveis de controlo atencional que
manifesta.
Exercício 2: Focagem atencional e ensino de pistas
relevantes
É
fundamental que qualquer atleta tenha a capacidade para orientar a
sua atenção para a tarefa a realizar, com vista ao seu desempenho
adequado. Mas “focarmos simplesmente a nossa atenção ou
concentração não é o suficiente para melhorar o rendimento
desportivo; devem ser feitos esforços para orientarmos a nossa
atenção para o alvo correcto” (Singer et al., 1991, p. 105).
Exemplo disso é quando um jogador de futebol apresenta dificuldades
em executar determinado passe ou remate, em vez de focar a sua
atenção na forma incorrecta de rematar, o jogador deverá passar a
concentrar-se na realização do movimento correcto. Portanto, é tão
crucial que o atleta tenha um controlo apurado dos mecanismos
atencionais, como dos gestos motores associados à actividade.
O
ensino de pistas relevantes deve basear-se nas exigências
atencionais de cada modalidade e do nível de evolução técnica de
cada atleta. Assim, o modelo “Avaliar, analisar, preparar e
executar” pode fornecer uma estrutura preciosa para a
identificação das pistas relevantes a atender. Na necessidade de
orientar a atenção para índices internos (avaliar e preparar), o
atleta deve ter a preocupação de focar a sua consciência em
pensamentos construtivos, positivos e orientados para a resolução
de problemas.
O
ensino de pistas relevantes para a optimização dos processos de
selectividade da atenção deve também procurar que o atleta associe
a um gesto motor ou padrão de actividade motora uma pista externa e
uma palavra ou palavras-chave. Para além de reflectirem instruções
para a execução dos movimentos, as palavras-chave também podem ser
associadas a sensações ou sentimentos de potência, força,
velocidade, destreza, equilíbrio, persistência, confiança,
concentração, etc., e que, de alguma forma, possam facilitar a
prestação do atleta. É importante não sobrecarregar os atletas com
demasiadas pistas, devendo o ensino ser progressivo e limitar-se o
número de pistas a atender e respectivas palavras-chave.
Exercício 3: Grelha para exercício de
concentração
Instruções: Começando no número 00, assinale com uma cruz cada
número por ordem crescente e o mais rapidamente que puder.
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12
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Exercício 4: Visualização de vídeo
Particularmente útil para o desenvolvimento da selectividade da
atenção, o treinador deverá mostrar aos atletas um vídeo de uma
sessão de treino ou de uma competição de jogo. A meio do filme,
deverá fazer uma pausa e pedir a cada atleta que imagine o que é
que deveria estar a tomar atenção nessa altura. Deverá então
perguntar o que é que cada um imaginou, comentando qualquer
incorrecção. Se eventualmente tiver ocorrido algum erro durante a
cena real, o treinador deverá pedir ao atleta para o explicar e
corrigir mentalmente.
Outros exercícios: Técnicas de preparação
mental
O
relaxamento muscular e o controlo respiratório têm um contributo
significativo no desenvolvimento de uma maior consciência
sensório-quinestésica, auto-controlo e controlo do meio
envolvente.
Em
suma: estes exercícios são importantes para a estruturação de
condições de aprendizagem, favorecendo a optimização das
competências atencionais. Uma noção importante a reter é que a
facilitação de experiências desta natureza está intimamente ligada
ao treino integral do desportista e, em particular, a uma
preparação que incida também na componente mental do
rendimento.
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