Psicologia do Desporto

OS COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS NO DESPORTO  (Psicologia do Desporto) Inserido Tuesday 26 May 2009 23:15

Na actualidade, o comportamento agressivo constitui uma importante preocupação dos organismos nacionais e internacionais, mobilizando políticos e cientistas no sentido de serem projectadas acções que permitam a diminuição da sua frequência.
O desporto constitui um dos mais importantes fenómenos sociais do nosso tempo, onde se projecta, por vezes de modo exacerbado, todas as tendências e conflitos que caracterizam a sociedade. O comportamento agressivo é, certamente, um dos aspectos com expressão preocupante nas actividades desportivas, havendo, portanto, uma íntima relação entre violência social e violência no desporto.
A nossa sociedade, evoluindo no sentido da quebra dos laços e relações interpessoais, de secundarização da família e da desvinculação afectiva do homem ao trabalho que produz, cria ao ser humano a necessidade de ter pontos de encontro com os outros e situações em que vivencie os sentimentos de pertença a que aspira. A afiliação a grupos desportivos caminha neste sentido, mas se por um lado tem essa dimensão positiva, por outro traduz a existência de outros problemas sociais.
A questão que se deve colocar é: até que ponto se pode deixar florescer esse sentimento de pertença a um grupo desportivo, sendo ele uma manifestação positiva, sem se cair no fanatismo clubístico que, consequentemente, nos pode levar à delinquência desportiva (e.g., hooliganismo)?Na realidade existem, inerentes à nossa cultura, modelos de comportamentos na sociedade, com natural repercussão no desporto, que determinam:
1) uma necessidade de procura de identificação com os “heróis”;
2) uma procura de estimulação emocional;
3) uma procura de sucesso e de status.
Estes são, de facto, alguns dos elementos com responsabilidades na origem das condutas agressivas.
Desporto e agressividade
Várias investigações têm vindo a referir, ao longo dos tempos, que o desporto serve, entre outras, como forma de alívio do stress e da ansiedade, funcionando ainda como “descarregador da energia agressiva”. No entanto, estudos mais actuais contrariam esta visão, e defendem que a agressividade aumenta com a actividade física, por efeito da excitação que ela promove (Balagué, 1981). Outros autores concluíram que a prática desportiva não diminui a agressividade previamente aumentada (Pfister, 1982; Figler, 1978), o mesmo se verificando com os espectadores do desporto, onde existe mesmo o efeito contrário, o que seria devido ao envolvimento emocional (Gaskell, 1981; Leuck, 1979).
Desporto e Frustração
A competição desportiva cria situações de frustração facilitadoras de agressão. Lefebre, Leith e Luxbacher (1980) explicam que a investigação da agressão pela frustração é devida ao bloqueamento de uma resposta dirigida para um objectivo, quer seja de carácter interno (falta de habilidade ou capacidade; quebra de motivação), quer seja de carácter externo (nível inferior de treino; falta de cooperação entre jogadores; decisões erradas de arbitragem).
A violência nos espectadores seria também explicada, ou pela frustração pessoal extra-desportiva, ou pela existência de situações negativas envolvendo a equipa de que se é adepto (e.g., derrotas), sendo ambas as situações reforçadas pelas elevadas expectativas criadas pelos mass-média (Balagué, 1981).

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TREINO DE COMPETÊNCIAS ATENCIONAIS  (Psicologia do Desporto) Inserido Wednesday 13 May 2009 17:12

Existem programas de treino multifacetados que, para além de bem conduzidos do ponto de vista físico e técnico, devem envolver o ensino de capacidades de relaxamento, activação, visualização mental, focagem e refocagem da atenção nas pistas relevantes à realização da tarefa, podendo ajudar o atleta a manter e melhorar o seu desempenho desportivo face a distractores externos inesperados.

A avaliação dos pontos fortes e fracos em termos atencionais deve incidir sobre os mais diversos componentes de rendimento e ajudar a definir os eixos fundamentais que devem presidir ao estabelecimento dos programas de desenvolvimento das competências atencionais. O treino atencional não pode ser implementado de forma dissociada do treino físico-técnico, e os ganhos a atingir passam indiscutivelmente por uma metodologia de treino integral e de elevada qualidade.

Havendo pouco tempo e poucos recursos para uma preparação psicológica alargada e integrada, os aspectos atencionais devem ser objecto de uma intervenção prioritária, já que por si só, poderão contribuir para a resolução dos problemas atencionais e outros relacionados.

Assim, este artigo tem como principal objectivo apresentar algumas sugestões práticas e simples que ajudem os “homens” do terreno (treinadores e psicólogos) a avaliarem os processos atencionais do atleta e desenvolver algumas estratégias que poderão ser integradas num programa de treino de competências atencionais.

Exercício 1: Treino simulado

O treinador deve preocupar-se em organizar treinos que solicitem aos atletas os mesmos esforços atencionais (alerta, flexibilidade, selectividade e duração) que as competições. Deve procurar simular durante os treinos as mesmas situações de fadiga e pressão que os atletas encontram na competição, criando situações artificiais (manipulando o marcador, o tempo de jogo, etc.) onde eles se sintam pressionados.

O chamado treino de distractibilidade pressupõe, por exemplo, que o indivíduo treine em situações de sobrecarga distractora (ruído, estímulos visuais, etc.), seguindo exactamente os mesmos princípios da imposição, a qualquer atleta, de cargas de treino físico progressivamente mais elevadas.

Outros exemplos de aspectos que podem ser previamente introduzidos e manipulados são: o ensino e responsabilização dos atletas pelo seu próprio aquecimento e recuperação energética durante os tempos mortos da competição; a familiarização com a sequência dos acontecimentos no dia da prova, com as condições físicas, com hipotéticos adversários, com os regulamentos e arbitragem, com a contagem do tempo e marcador, etc.

No entanto, por maior criatividade que demonstrem treinador e atletas, a simulação em treino das particularidades da situação competitiva tem sempre um alcance limitado em termos de redução da incerteza, pelo que é desejável alguma dose de novidade, como exposição real às particularidades físicas, psicológicas e sociais da competição, é o meio mais eficaz para se conseguir uma correcta adaptação à situação competitiva. Assim, não será demais realçar a importância que a aquisição de experiências competitivas positivas por parte do atleta pode ter nos níveis de controlo atencional que manifesta.

Exercício 2: Focagem atencional e ensino de pistas relevantes

É fundamental que qualquer atleta tenha a capacidade para orientar a sua atenção para a tarefa a realizar, com vista ao seu desempenho adequado. Mas “focarmos simplesmente a nossa atenção ou concentração não é o suficiente para melhorar o rendimento desportivo; devem ser feitos esforços para orientarmos a nossa atenção para o alvo correcto” (Singer et al., 1991, p. 105). Exemplo disso é quando um jogador de futebol apresenta dificuldades em executar determinado passe ou remate, em vez de focar a sua atenção na forma incorrecta de rematar, o jogador deverá passar a concentrar-se na realização do movimento correcto. Portanto, é tão crucial que o atleta tenha um controlo apurado dos mecanismos atencionais, como dos gestos motores associados à actividade.

O ensino de pistas relevantes deve basear-se nas exigências atencionais de cada modalidade e do nível de evolução técnica de cada atleta. Assim, o modelo “Avaliar, analisar, preparar e executar” pode fornecer uma estrutura preciosa para a identificação das pistas relevantes a atender. Na necessidade de orientar a atenção para índices internos (avaliar e preparar), o atleta deve ter a preocupação de focar a sua consciência em pensamentos construtivos, positivos e orientados para a resolução de problemas.

O ensino de pistas relevantes para a optimização dos processos de selectividade da atenção deve também procurar que o atleta associe a um gesto motor ou padrão de actividade motora uma pista externa e uma palavra ou palavras-chave. Para além de reflectirem instruções para a execução dos movimentos, as palavras-chave também podem ser associadas a sensações ou sentimentos de potência, força, velocidade, destreza, equilíbrio, persistência, confiança, concentração, etc., e que, de alguma forma, possam facilitar a prestação do atleta. É importante não sobrecarregar os atletas com demasiadas pistas, devendo o ensino ser progressivo e limitar-se o número de pistas a atender e respectivas palavras-chave.

Exercício 3: Grelha para exercício de concentração

Instruções: Começando no número 00, assinale com uma cruz cada número por ordem crescente e o mais rapidamente que puder.

 

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Exercício 4: Visualização de vídeo

Particularmente útil para o desenvolvimento da selectividade da atenção, o treinador deverá mostrar aos atletas um vídeo de uma sessão de treino ou de uma competição de jogo. A meio do filme, deverá fazer uma pausa e pedir a cada atleta que imagine o que é que deveria estar a tomar atenção nessa altura. Deverá então perguntar o que é que cada um imaginou, comentando qualquer incorrecção. Se eventualmente tiver ocorrido algum erro durante a cena real, o treinador deverá pedir ao atleta para o explicar e corrigir mentalmente.

 

Outros exercícios: Técnicas de preparação mental

O relaxamento muscular e o controlo respiratório têm um contributo significativo no desenvolvimento de uma maior consciência sensório-quinestésica, auto-controlo e controlo do meio envolvente.

 

Em suma: estes exercícios são importantes para a estruturação de condições de aprendizagem, favorecendo a optimização das competências atencionais. Uma noção importante a reter é que a facilitação de experiências desta natureza está intimamente ligada ao treino integral do desportista e, em particular, a uma preparação que incida também na componente mental do rendimento.

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Importância das competências atencionais no atleta  (Psicologia do Desporto) Inserido Thursday 23 April 2009 15:16

Enquanto processo de selecção da informação, a atenção é vista como a capacidade do indivíduo para dirigir e manter a atenção nos estímulos relevantes à resolução de uma tarefa.

A aplicação de um treino de competências atencionais deve passar, em primeiro lugar, pela identificação correcta do problema. Não basta reconhecer que um atleta tem problemas de atenção ou concentração, é necessário compreender qual o tipo de problema.

  

A responsabilidade do treinador

A caracterização do problema atencional do atleta é tanto mais importante, porque nem sempre os treinadores dedicam o tempo suficiente à compreensão destes aspectos. Por vezes, sentem dificuldades no diagnóstico, outras vezes esperam que o treino e uma maior experiência competitiva resolvam o problema. Terá o atleta dificuldades em manter os mesmos níveis de concentração durante o decurso da competição? Terá o atleta dificuldade em prestar atenção à tarefa que tem em mão, distraindo-se com facilidade com determinado tipo de estímulos ou situações? Estarão as dificuldades do atleta em conseguir dirigir sequencialmente a sua atenção para diferentes aspectos da tarefa? São este tipo de interrogações que o treinador deverá colocar.

O treinador tem de conhecer bem o atleta e, em particular, a forma como responde às situações de competição em termos automáticos, motores, comportamentais, cognitivos, emocionais e, se possível, a nível do SNC.

  

A responsabilidade do atleta

Mas as responsabilidades de diagnóstico não devem dizer respeito apenas ao treinador. Um aspecto curioso e que torna complicada a identificação do problema é que, em muitas situações, os atletas não têm uma noção clara da sua distractibilidade, já que nem sempre conseguem afirmar que estavam distraídos ou que falharam por falta de concentração. Assim, para além de se conhecerem os pontos fortes e fracos de cada um nas diversas áreas da componente psicológica do rendimento, é também necessário que os atletas possuam, eles próprios, maior consciência das suas próprias “idiosincrasias” atencionais. É imprescindível, portanto, que toda a problemática seja analisada e discutida com o próprio atleta, pois para além de ser uma fonte de informação significativa, será ele que irá pôr em prática as recomendações do treinador e do programa. A simples tomada de consciência do problema permite, muitas vezes, a reconceptualização da situação, pré-requisito importante para se conseguir um maior auto-controlo e auto-crítica pessoal. Perante isto, o atleta deverá ser apoiado e ajudado.

  

Situações importantes a ter em conta

A análise dos requisitos atencionais de uma modalidade deve procurar responder ao quê, ao como, ao quando e para quê. Isto é, com que intensidade se deve concentrar um atleta, em que momento e durante quanto tempo, a que pistas ou aspectos de tarefa são importantes prestar atenção e, como deve mudar de tipo atencional ao longo da realização da tarefa.

Se o atleta tiver que dirigir a sua atenção para o exterior, deve ser estudada a ordem pela qual deverá prestar atenção às diferentes pistas; se a atenção for dirigida internamente, deverá ser dada importância a pensamentos positivos e construtivos.

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FORMULAÇÃO DE OBJECTIVOS E EFICÁCIA DO RENDIMENTO  (Psicologia do Desporto) Inserido Thursday 26 March 2009 10:07

A formulação de objectivos (FO) é uma das técnicas mais eficazes para motivar atletas, contribuindo para o aumento da eficácia da “performance” (Locke, 1981). As vantagens são bastante óbvias nos jovens em iniciação ou formação, particularmente ao nível do “clima” ou “atmosfera” geral da equipa, do crescimento pessoal e psicológico de cada atleta ou participante, da liderança do grupo e dos seus objectivos.

Que tipo de objectivos se devem formular?

1) Objectivos específicos, difíceis e desafiantes produzem melhor rendimento que objectivos pouco claros ou fáceis, no entanto, os objectivos formulados devem estar ao alcance do atleta;

2) Os objectivos são mais eficazes quando definidos qualitativamente e formulados em termos de comportamentos bem especificados (“Vamos fazer circular constantemente a bola durante o jogo”), do que quando formulados com intenções vagas (“Vamos ganhar”);

3a) Objectivos intermédios ou pequenos objectivos devem ser utilizados como ligação a objectivos finais ou a longo prazo: o atleta que quer ser campeão nacional deve formular sempre alvos ou objectivos intermédios;

3b) A formulação e definição de objectivos intermédios depende das dificuldades do objectivo final e do grau de facilidade que o atleta sentirá para o atingir;

3c) Os objectivos intermédios fornecem “feedback” ao atleta, ajudam-no a dirigir a sua atenção para aspectos importantes a treinar, mantêm o interesse, facilitam a persistência e levam o atleta a seguir e a envolver-se numa estratégia de acção;

4) Para que os objectivos atinjam a sua eficácia máxima, terá que existir sempre “feedback” (conhecimento dos resultados), pois nem o “feedback nem os objectivos, por si só e isoladamente, são suficientes para melhorar o rendimento.

Qualquer atleta deve desfrutar de oportunidades para experimentar satisfação que resulta de conseguir um determinado objectivo. Mais do que padrões de rendimento absoluto (ex: vitória), deve-se fazer recurso a padrões individuais adequados à idade, à experiência competitiva, às capacidades e aptidões.
“Se existem valores sociais no desporto e na competição, então cada indivíduo tem o direito de ser bem sucedido” (McClements & Botterill, 1980).

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INFLUÊNCIA TREINADOR PROCESSO MOTIVACIONAL ATLETA  (Psicologia do Desporto) Inserido Thursday 26 February 2009 12:50

Em face da importante função desenvolvimental que o desporto deve desempenhar, torna-se extremamente importante que sejam oferecidas experiências positivas e de qualidade às crianças e jovens, no seu período de formação. Por isso, a maneira e o modo como o treinador interage com os atletas vai determinar, em grande parte, a natureza (benéfica ou prejudicial) das experiências desportivas e o resultado dessa participação.

Este aspecto é tanto ou mais importante, quanto um número assinalável de crianças e jovens abandonam a prática desportiva devido a comportamentos e atitudes negativas, punitivas ou extremamente exigentes e pressionantes dos respectivos treinadores.

A adopção de um ambiente fortemente orientado para a aprendizagem e pouco orientado para o rendimento é o mais adequado, tendo em vista a maximização da motivação e da realização para as crianças de todos os níveis de capacidade.

Orientações para treinadores dos escalões de formação desportiva:

a) devem dirigir os seus esforços para o modo como podem promover a aprendizagem de competências de todos os atletas e não se preocuparem apenas com as diferenças individuais na capacidade física;

b) dedicar mais tempo ao treino de competências e ao seu conhecimento, ao desenvolvimento da aptidão física e à promoção da saúde;

c) apoiar a autonomia dos atletas;

d) considerar os erros dos atletas como um guia para a aprendizagem posterior e não como uma indicação de falta de capacidade;

e) oferecer tarefas difíceis, mas desafiadoras a todos os atletas;

f) valorizar os valores do progresso pessoal e da cooperação.

Paralelamente, através do seu “feedback”, comentários, recompensas e expectativas mais ou menos explícitas, os adultos (treinadores, pais, dirigentes e outros) estruturam o clima motivacional do contexto desportivo e geram diferentes efeitos e impacto ao nível da aprendizagem e do rendimento desportivo.

De salientar que as primeiras experiências desportivas são decisivas para a motivação e auto-estima de crianças e jovens, numa etapa fundamental do seu desenvolvimento, sendo certo que é a qualidade dessas experiências que determina se o resultado é positivo ou negativo.

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